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O título explica.

segunda-feira, abril 26, 2004

Coisas pra se fazer em Pirenópolis 

[Texto de 1.o de agosto de 2000]


Semana retrasada, dona Maria Bernardo, esposa amantíssima do Joel pedreiro do Bonfim, estava arrastando os pés a todo vapor num forró da Festa da Capela, lá em Capela do Rio do Peixe, quando, no melhor da farra, teve um derrame fulminante e morreu antes de cair no chão.

O corpo foi levado lá prà Funerária Ressurreição ("nossos presuntos só faltam falar", devia ser o lema deles), lavado, tratado, arrumado e despachado para a casa da família enlutada. Dizem as más línguas que, quando chegou, dona Maria era a única que não estava trançando as pernas.

Muito bem. Choradeira, parentes chegando de Goiás inteiro, cachaça rolando solta, noite avançando e, lá pràs tantas, alguém comenta que pena que a Maria não gostava de ser fotografada, bem que agora um retrato dela fazia falta. Não foi preciso mais. Outro alguém foi lá dentro buscar os óculos da defunta, a filha reforçou o batom na boca da mamãe, quatro parentes matulões agarraram o caixão e levaram para o quintal seguidos da família inteira. Todos fizeram caras de felizes, puseram o caixão em pé apoiado na parede da cozinha e o Bodinho fez o instantâneo, com a dona Maria feliz da vida no meio da parentalha toda, de óculos escuros às três da madrugada.
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